A Liberdade Emocional da Mulher

Em que momento de sua vida você se deu conta que poderia contar seguramente consigo mesma? Isso engloba em todos os aspectos do seu cotidiano, trabalho, interações sociais, familiares, relacionamentos amorosos, etc…

Comigo ocorreu por volta dos meus 22 anos!  Na época a necessidade de preencher um certo espaço dentro do meu ser era maior do que a de atender às conveniências normalmente previstas às jovens mulheres da minha geração. Abri mão dos meus conflitos e inseguranças e me dei conta que a  força de vontade e talentos que havia em mim poderiam, de certa forma,  superar parte da minha vulnerabilidade feminina… Aprendi a acreditar cada vez mais nesses talentos e na capacidade de transformar os meus medos e angústias em desafios , cujo objetivo principal era o de alcançar a tão almejada liberdade …

A liberdade que me refiro aqui não é apenas a física, a de ir e vir, mas a que acredito que seja a mais intrínseca a todo ser humano que é a liberdade emocional. Aquele momento em que podemos assumir a nós mesmas, em sua plenitude, sem a preocupação de nunca mais nos submetermos ao crivo dos sentimentos de uma outra pessoa, como pais, irmãos, maridos, amigos ou amantes por exemplo. A liberdade emocional lhe conduz ao encontro do elo que você julgava perdido, muitas vezes pela força das circunstâncias, e, de repente, se conecta com você e como num passe de mágica, e de uma forma quase inexplicável, lhe torna forte, poderosa e capaz de administrar até sob pressão os seus sentimentos e a capacidade de se reconhecer como mulher em toda a sua essência.

Na maturidade essa sensação fica até mais libertadora, posso lhe garantir! Se você ainda não a experimentou, não se deixe curvar pelo impacto do medo ou da solidão, pois esse só nos limita e nos torna confinadas à uma uma serventia por vezes degradante de nossos melhores sentimentos por outrem, nos fazendo esquecer o significado essencial de nossa vida que é a obrigação de sermos felizes apesar de …

 

Eridam Pimentel – Blog Superarparanaopirar.wordpress.com

 

 

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Histórias de Amor

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Você vive um amor ou uma história de amor?

Tem diferença, sim. Um amor é uma realização plena de um sentimento recíproco. Passa por alguns ajustes, negociações, mas desliza. Pode perder velocidade aqui, ganhar ali, mas não é interrompido pelas dúvidas, não incentiva a entrada de terceiros, tem a consistência das coisas íntegras, duráveis. O amor, amor mesmo, é uma sorte que se honra, uma escolha que se aposta diariamente, o amor é algo que nasce e frutifica.

Já uma história de amor é, como diz o termo, uma invenção. Algo para ser contado ao analista, desabafado para os amigos, uma narrativa chorosa e trágica, um acontecimento beirando o folclórico, um material bruto pedindo para ser transformado em obra de arte. Toda história de amor está impregnada de obstáculos que lhe conferem um status de ficção.

Amor proibido pela família, rejeitado pela sociedade, condenado por preconceitos, amor que exige fugir de casa, pegar em armas, trocar identidade: virou história de amor. Perde-se um tempo enorme roteirizando o dia seguinte. Se fosse amor, simplesmente amor, o dia seguinte amanheceria pronto.

Amor que coleciona mais brigas que beijos, mais discussões que declarações, mais rendições que entrega: virou história de amor. Pode subir aos palcos, transformar-se em filme, faturar na bilheteria: tem enredo. Mas não tem continuidade. Sai de cartaz rapidinho.

Amor que sobrevive à distância, que se mantém através de cartas e telefonemas (permita-me a nostalgia, sobreviver pelo whatsapp não combina com literatura), o amor sem parceria, sem corpo presente, o amor que não se pratica, que não se lubrifica, que enferruja por falta de uso: virou história de amor. Sofrido como pedem os poemas, glorificado pela vitimização, até o dia em que a ausência do outro deixa de ser um ingrediente pitoresco e você descobre que cansou de dormir sozinha.

Amor que exige insistência, persistência, paciência: virou história de amor. Se fosse amor, nada além de amor, navegaria em águas mais tranquilas, não exigiria tanto de seus protagonistas, o entendimento seria instantâneo, sem exagero de empenho, desgaste, sofrimento. Histórias de amor são fantásticas na primeira parte, tiram o ar, movimentam a vida, mas da segunda parte em diante viram teimosia dos autores, que relutam em colocar o ponto final na saga que eles próprios criaram.

Amor ou história de amor, o que se prefere?

Aventureiros, notívagos, hereges, rabugentos, sedutores, inquietos, fetichistas, intrépidos, dramáticos, agradecemos cada verso e cada noite mal dormida que vocês deixaram de lembrança, mas um dia a gente cresce e a fantasia cede lugar à sensatez: um amor, apenas amor, está de bom tamanho.

 

 

Texto extraído do livro Simples Assim – Martha Medeiros

Pode um Pássaro amar um Peixe?

 

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Algum dia você já parou para pensar na possibilidade de um pássaro se apaixonar por um peixe?
Já se indagou quais seriam as condições para a viabilidade dessa relação? Qual deles, na sua opinião, teria que ceder sem correr o risco de por sua cabeça a prêmio? Qual deles teria mais chances de se aventurar, de tentar o ensaio/erro diante de tantas incertezas? E consciente desses riscos, qual deles estaria mais disposto a pagar para ver? Difícil de saber, né?
Assim como acontece com o pássaro e com o peixe, acontece também com os seres humanos. O destino também se encarrega de nos pregar algumas pegadinhas, de vez em quando. No momento em que acreditamos que já vivenciamos tantas situações imprevistas, embaraçosas, sem uma mínima possibilidade de virem a ocorrer novamente, daí,num piscar de olhos, nos deparamos com situações idênticas, capazes de nos tirar o sono, o nosso chão e até mesmo o nosso fôlego, embora nos achando espertos, inteligentes,vividos,centrados…

E a questão é a mesma: quem vai pagar para ver o que acontece no futuro? Quem vai ter que amar mais, sofrer mais, ceder mais? Quem vai querer sair da sua “zona de conforto” para correr novamente o risco de “ganhar” para depois voltar a “perder”?       

Canção das mulheres

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.
Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.
Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se  irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.
Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso.
Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.
Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.
Que o outro sinta quando me dói a ideia da perda, e ouse ficar comigo um pouco – em lugar de voltar logo à sua vida, não porque lá está a sua verdade mas talvez seu medo ou a sua culpa.
Que se começo a chorar sem motivo depois de um dia daqueles, o outro não desconfie logo que é culpa dele, ou que não o amo mais.
Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ” olha que estou tendo muita paciência com você!”
Que se me entusiasmo por alguma coisa o outro não a diminua, nem me chame de ingênua, nem queira fechar essa porta necessária que se abre para mim, por mais tola que lhe pareça.
Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.
Que quando levanto de madrugada e ando pela casa, o outro não venha logo atrás de mim reclamando: ” Mas que chateação essa mania, volta pra cama!”
Que se eu peço um segundo drinque no restaurante o outro não comente logo: “Poxa, mais um?”
Que se eu eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.
Que o outro – filho, amigo, amante, marido – não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.
Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa – uma mulher.

Extraído do livro Pensar é transgredir – Lya Luft