O que leva uma mulher a se tornar amante aos 60 anos de idade?

Hoje acordei com uma vontade enorme de escrever! Pensei: Por que não colocar algumas de minhas ponderações a respeito de mulheres que resolveram se tornar amantes em plena maturidade de seus 60 anos?  Nem todas gostam de serem chamadas assim, devido sua conotação pejorativa,   preferem namoradas, ou coisa que o valha… Risos.  Esse tema é comum? Acredito que não!   Ser amante aos 30, 35 e aos 40 anos de idade é bem   mais provável… Tudo fica mais fácil, já que a natureza sabe ser mais pródica com seus atributos físicos… Mas aos 60 é simplesmente desafiador!

E o que leva uma mulher, nessa altura da vida, a encarar um relacionamento desse suporte ?  Acredito que são muitos os motivos que servem de estímulo a uma mulher plenamente realizada emocionalmente e financeiramente, a se envolver numa nova relação amorosa, quando chega a essa etapa de sua vida.  Acredito que seja pela redescoberta de um grande amor, de uma antiga ou nova paixão, por uma vida sexual mais espontânea, sem cobranças e sem muitas expectativas, por carência afetiva, por medo de continuar sozinha, já que os filhos se foram em busca de suas conquistas, ou simplesmente pela vontade de se abrir à novas possibilidades … Por ainda acreditar num ideal de felicidade sem ter que repetir necessariamente os erros do passado, e por perceber que a vida não acaba simplesmente pelo fato de se ter perdido seu companheiro de longas datas, ou por um motivo qualquer!

A nossa sociedade está cada vez mais evoluída, menos nesse aspecto. Ela continua sem pena nem dó quando vai tratar a questão da liberdade sexual das mulheres, de um modo geral, principalmente na das mais velhas e mais independentes. Mesmo assim, de vez em quando, surge essa nova mulher aparentemente frágil e tímida, capaz e encorajada a quebrar os bloqueios do medo, do orgulho, da insegurança e do preconceito para dar passagem ao esplendor, à  beleza  e ao instinto de sua feminilidade ainda presentes nela, apesar dos seus 60 anos de idade.

Tiro o chapéu para essas destemidas mulheres, que sem se importarem com as pequenas limitações da idade física, ainda se sentem bonitas, desejadas e capazes de nutrirem e de despertarem o desejo, a paixão e o amor de um homem!

 

Traição x Perdão

Cresci ouvindo a célebre frase: devemos perdoar pra sermos perdoados. Principalmente quando se faz parte de uma família cristã. A partir daí, aparecem inúmeras histórias ilustrativas para dar um melhor embasamento ao referido pensamento.

Já vivenciei quase todas as etapas do amadurecimento humano, no entanto, ainda não consegui desenvolver o aprendizado “ideal” para a prática dos vários níveis de perdão, tendo em vista a diversidade de traições pelas quais já tive que passar…

Muitas vezes, quando falamos em traição, nos vem à mente a da traição entre cônjuges. Esquecemos da fidelidade entre amigos, filhos, parentes, parceiros, sócios, vizinhos, etc…  E, até que ponto, nos sentimos preparados para exercer as inúmeras manifestações de perdão?

Acredita a psicóloga junguiana Clarissa Pinkola Estés que, para lidarmos melhor com essas manifestações, precisamos dizer a nossa verdade, e não só a nossa dor e o nosso lamento, mas também o mau que foi causado, a raiva, a revolta e o desejo de autopunição ou de vingança que foi evocado em nós.

Para  entendermos melhor essa situação, ela sugere aos seus pacientes quatro estágios do perdão:

  1. Deixar passar  –  deixar a questão em paz
  2. Controlar-se    – renunciar à punição
  3. Esquecer         – afastar-se da memória, recusar-se a repisar
  4. Perdoar           – o abandono da dívida

Deixar Passar – Deixe a situação, a recordação, o assunto, tantas vezes quantas for necessário. A ideia não é a de fechar os olhos, mas a de adquirir agilidade e força para se desligar da questão. Deixar passar envolve voltar a tecer, a escrever, ir até o mar, aprender e amar algo que a fortaleça e deixar que o tema saia do primeiro plano por um tempo…

Controlar-se  –  A segunda fase é a do controle, especificamente no sentido de abster-se de punir; de não pensar no fato nem reagir a ele seja em termos grandes, seja em termos pequenos. Controlar-se significa ter paciência, resistir, canalizar a emoção. Esse é um regime de purificação. Você pode se abster de palavras, de resmungos punitivos, de agir de modo hostil, ressentido… Controlar-se é praticar a generosidade…

Esquecer  – Esquecer significa afastar da lembrança, recusar-se a repisar um assunto – em outras palavras, deixar de lado, soltar, especialmente da memória. O esquecimento consiste em deixar de lado o acontecimento, não insistir para que ele permaneça no primeiro plano, mas permitir que ele seja relegado ao plano de fundo ou mesmo que saia do palco…

Perdoar –  Existem muitos meios e proporções com os quais se perdoa uma pessoa, uma comunidade, uma nação por uma ofensa. É importante lembrar que um perdão “final” não é uma capitulação. É uma decisão consciente de deixar de abrigar ressentimento, o que inclui o perdão da ofensa e a desistência da determinação de retaliar…

O perdão é um ato de criação. Você pode escolher entre muitas formas de proceder. Você pode perdoar por enquanto, perdoar até que, perdoar até a próxima vez, perdoar mas não dar outra chace – começa tudo de novo se acontecer  outro incidente. Você pode dar só mais uma chance , dar mais algumas chances, dar muitas chances, dar chances só se… Você pode perdoar uma ofensa em parte, pela metade ou totalmente. Você pode imaginar um perdão abrangente. Você decide.