Nunca seja econômica nos seus sentimentos

2

Desde cedo aprendemos a esconder nossas verdadeiras emoções (amor, prazer, medo, raiva, alegria, etc…). Em casa, com nossos pais, irmãos e agregados. Na rua, com os nossos vizinhos e amigos de infância. Depois, na escola ou na faculdade com nossos professores e com nossos colegas de classe. Tenho um amigo que costuma me repetir a seguinte frase: Dam, a nossa geração foi “adestrada”. A gente tinha que dizer amém a tudo. De certa forma, concordo com ele!

Tentei, de todas as formas possíveis, fugir desse paradigma de pessoa sempre caladinha, quietinha, de “maria vai com as outras”… Contrariando, logicamente, à minha mãe, que costumava me chamar de “malcriada” e alguns de meus professores! Isso também nunca significou que eu tivesse lhes faltado com respeito, obediência ou coisa parecida. Nem com ela, nem com meus professores e nem tão pouco com as pessoas mais velhas ou hierarquicamente acima de mim. Obedecer e respeitar nunca significou, pra mim, silenciar!

Nunca me calei diante de injúrias e/ou de injustiças que aconteciam em volta do meu núcleo de relacionamento. Até o meu avô materno, com o qual pude ter o privilégio de conviver, se surpreendia com as minhas “tiradas” … Sempre preferi o barulho dos meus sentimentos à mudez da minha frustração! Hoje sei o quanto foi difícil pra mim e também pra todos eles. Mas por outro lado, me permitiu criar as condições necessárias pra minha sobrevivência nessa selva de falsas aparências. Em que grande parte das pessoas, em seus relacionamentos interpessoais, se adaptam às falsas promessas, ao que parece ser mas não é, se magoando, se oprimindo anos a fio, se frustrando cada vez mais, suportando conviver dentro de um casulo com determinadas pessoas por medo de se submeter ao julgamento do outro ou até de si mesmo!

A opressão é sempre devastadora! Seja em qualquer estágio de sua vida. Portanto, não permita que a mesma cale sua voz e imobilize seus argumentos. Que ela bloquei os seus sonhos e os seus sentimentos. Não emudeça, mesmo que tenha que levar com você pro resto vida a sua fama de “malcriada”!

Loucamente apaixonada

Ouço os homens dizerem com frequência que todas as mulheres são loucas ou emocionalmente instáveis. Alguns até as dividem em categorias. De acordo com a visão deles, as mulheres variam de livremente irracionais a totalmente psicóticas. Os homens são conhecidos por se juntarem para jogar uma pelada, tomar algumas cervejas e trocar observações sobre saúde mental de sua mais nova conquista. “Conheci uma garota nova, e ela parece ser capaz de controlar os hormônios.” Talvez você tenha notado que ele sempre fala de alguma ex-namorada. Você sabe, aquela que nunca abaixava a cabeça e parecia estar possuída pelo demônio, o que causou o fim do relacionamento. Claro que ele não teve nada a ver com isso. Ele era um anjinho e, pasme, um belo dia acordou ao lado da garota do filme O Exorcista.

Talvez seja por isso que as mulheres se culpam por tudo. Já perdi a conta de quantas vezes as ouvi dizendo ” Eu vivo estragando os meus relacionamentos. Acho que o problema é comigo.” Elas recebem essa análise de saúde mental feita pelo namorado (auto-proclamado terapeuta) e já começam a se questionar. “Ele diz que estou agindo como louca, que não sou normal. Sinto que estou enlouquecendo mesmo.” Então ela pega um chicote e começa a se flagelar: várias e várias vezes.

Já as mulheres confiantes riem quando recebem feedbacks ridículos. Se um homem chamar uma poderosa de “meio maluca”, ela responde que ele deve dar graças a Deus por isso. “É verdade, e você tem sorte por eu ser só ‘meio’ maluca. Poderia ser muito pior, porque a maioria das outras poderosas é totalmente psicótica. Imagina o que elas seriam capazes de fazer com você…”

Quando uma mulher consegue rir de si mesma, não leva tudo para o lado pessoal e controla as próprias emoções, ela parece mais “estável”, segura e confiável. Assim o homem acha que há uma chance maior de dar tudo certo no relacionamento.

Quando você encontra um homem pela primeira vez, é preciso entender: a maioria dos homens vê as mulheres como brinquedinhos sexuais. Eles se apaixonam de vez em quando, é verdade, mas isso acontece depois… Portanto, tudo o que ele diz no começo muito provavelmente tem apenas o objetivo de  conseguir o resultado desejado: jogá-la na cama. São as preliminares verbais. Você usa perfume, ele abre a  porta do carro. Você diz que só teve três homens na vida (mantendo o rosto impassível), ele diz que está em busca de um relacionamento sério e você tem as qualidades que as outras não tinham. É tudo papo furado. Veja bem, isso não quer dizer que ele não a ame, adore e ache você a mulher mais sexy do mundo. Isso significa que, para continuar a fazer sexo, os homens vão enganá-la quanto ao nível de envolvimento que pretendem ter no longo prazo.

Um pouco de indiferença no começo, age como um ímã, e o prende de vez. Se o homem não souber (totalmente) quais as suas intenções e não tiver certeza do que você quer, ele vai respeitá-la mais e tratá-la melhor. Isso o prende porque ele não tem o controle que costumava ter.

A maioria das mulheres já começa mal porque demonstra afeto demais e muito cedo. Assim, logo elas estão em queda livre (sozinhas), e é nessa hora  que ele faz o seguinte comentário: ” Ela não controla suas emoções”. Se as emoções estiverem no comando, você estará a mercê dele. É coisa de homem. Eles aprendem muito cedo que mostrar emoção demais significa fraqueza. Eles respeitam mulheres fortes. Então, é preciso controlar o quanto de emoção você vai mostrar.

 

Texto extraído do livro Por que os homens se casam com as mulheres poderosas? – da autora Sherry Argov.